Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 060: Experimentos de Ontologia: formas de mundialização desiguais e etnografia como atuar criativo.
Um único mundo que não é o mesmo: ontologia como uma questão de compromisso
Alyne de Castro Costa (PUC-RIO), Alyne de Castro Costa (PUC-RIO)
Nos últimos anos, a noção de ontologia vem sendo mobilizada em teorias e análises oriundas de campos do
saber outros que a filosofia. Capitaneada pela antropologia, a chamada virada ontológica expressa o
compromisso de tomar os modos de vida dos povos nativos como realidades legítimas, em vez de meras
representações culturais. Contudo, para estar à altura desse compromisso com o pluralismo ontológico,
bastaria apenas reconhecer a legitimidade desses outros mundos? Como evitar que tal pleito não se converta
numa exigência abstrata por respeito a esses outros, sem nos deixar afetar pelas diferenças entre nossos
mundos? Nesta comunicação, abordarei alguns aspectos que me parecem ainda pouco explorados dessas novas
articulações entre ontologia e política, as quais se tornam ainda mais cruciais diante da ameaça
representada pela crise ecológica global. Mais especificamente, proponho que, para ativar o potencial
político do pluralismo ontológico reivindicado, é preciso entender compromisso em termos de mutualidade e
interdependência: a construção de um mundo onde caibam muitos mundos diz respeito tanto à multiplicidade de
mundos quanto à unidade que encapsula tal multiplicidade ou melhor, o mundo comum que emerge do
reconhecimento da interdependência entre os diversos mundos.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
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