Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 084: Patrimônios Culturais, Gênero e Diversidade Sexual: confluências e divergências
Viados e Caboclo Queer nas celebrações cívico-populares do Dois de Julho na Bahia
Vinícius Santos da Silva (UFS)
Depois de dezoito meses de conflitos armados entre brasileiros nacionalistas que defendiam a
independência do Brasil do domínio colonial de Portugal, finalmente, em dois de julho de mil oitocentos e
vinte e três as tropas populares baianas conseguiram definitivamente expulsar ou vencer pelo cansaço as
tropas lusitanas de Salvador, permitindo a sua pacífica ocupação. Este acontecimento histórico protagonizado
por homens e mulheres negras escravizadas, também contou com a brava obstinação da população indígena
denominada de caboclos da terra. A data desde então ficara marcada como a primeira insurgência nacionalista
e popular e, duzentos anos depois, mantém-se incorporada de símbolos nacionalistas, como a própria
celebração do Dois de Julho na Bahia, infestada de representações vernáculas da povo brasileiro que se
expressão entre a contradição performática da formalidade cívica, popularidade religiosa e subversão moral
no centro antigo de Salvador.
Neste contexto, observa-se o caboclo queer, a imaginária indígena móvel enviadecida e venerada, ao seu
modo, pela comunidade sexo diversa numa zona efemeramente forjada no trajeto do desfile cívico na Avenida
Sete de Setembro e denominada de Território da Fechação. O ethos do Caboclo passa a se configurar no
assimilacionismo divino e que tensiona os paradigmas heterossexuais outorgados ao indígena a partir do
contato com o colonizador. Portanto, apresento a etnografia sobre este patrimônio imaterial
artístico-jocoso, onde categorias analíticas como churria, viadeiro, viados de fanfarra e fechação impõe
seus valores e significados próprios, além de imprimem uma particularidade popular e contra higienista dos
movimentos culturais e revolucionários baianos. A partir de características singulares, procuro interpretar
os processos intersubjetivos de independência política e rebeldia sexual dos atores envolvidos na cena para
construção do dossiê de conhecimento desta expressão lúdica no livro de registros especiais associado as
celebrações do Dois de Julho na Bahia.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
Associação Brasileira de Antropologia - ABA