ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 084: Patrimônios Culturais, Gênero e Diversidade Sexual: confluências e divergências
Viados e Caboclo Queer nas celebrações cívico-populares do Dois de Julho na Bahia
Vinícius Santos da Silva (UFS)
Depois de dezoito meses de conflitos armados entre brasileiros nacionalistas que defendiam a independência do Brasil do domínio colonial de Portugal, finalmente, em dois de julho de mil oitocentos e vinte e três as tropas populares baianas conseguiram definitivamente expulsar ou vencer pelo cansaço as tropas lusitanas de Salvador, permitindo a sua pacífica ocupação. Este acontecimento histórico protagonizado por homens e mulheres negras escravizadas, também contou com a brava obstinação da população indígena denominada de caboclos da terra”. A data desde então ficara marcada como a primeira insurgência nacionalista e popular e, duzentos anos depois, mantém-se incorporada de símbolos nacionalistas, como a própria celebração do Dois de Julho na Bahia, infestada de representações vernáculas da povo brasileiro que se expressão entre a contradição performática da formalidade cívica, popularidade religiosa e subversão moral no centro antigo de Salvador. Neste contexto, observa-se o caboclo queer”, a imaginária indígena móvel enviadecida e venerada, ao seu modo, pela comunidade sexo diversa numa zona efemeramente forjada no trajeto do desfile cívico na Avenida Sete de Setembro e denominada de Território da Fechação”. O ethos do Caboclo passa a se configurar no assimilacionismo divino e que tensiona os paradigmas heterossexuais outorgados ao indígena a partir do contato com o colonizador. Portanto, apresento a etnografia sobre este patrimônio imaterial artístico-jocoso, onde categorias analíticas como churria, viadeiro, viados de fanfarra e fechação impõe seus valores e significados próprios, além de imprimem uma particularidade popular e contra higienista dos movimentos culturais e revolucionários baianos. A partir de características singulares, procuro interpretar os processos intersubjetivos de independência política e rebeldia sexual dos atores envolvidos na cena para construção do dossiê de conhecimento desta expressão lúdica no livro de registros especiais associado as celebrações do Dois de Julho na Bahia.