Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 015: Antropologia digital: experiências, transformações, desafios e dilemas
Plataformas de streaming de música e sistemas de recomendação personalizada: os algoritmos refletem as desigualdades de gênero já existentes?
Stephanie Pereira de Lima (InternetLab), Fernanda Kalianny Martins Sousa (InternetLab)
O surgimento de plataformas de streaming nos últimos anos alterou a forma de interação com conteúdos culturais. Tais empresas passaram a impactar na forma como se consome conteúdo, utilizando-se de ferramentas como as de recomendações personalizadas, baseadas no uso de algoritmos. Com isso, levantam-se preocupações relacionadas a possíveis vieses discriminatórios existentes nesses sistemas. Este trabalho observa a indústria da música, a partir da análise das plataformas Spotify e Deezer, duas das mais utilizadas no Brasil. Busca-se compreender se as recomendações feitas pelos sistemas são influenciadas por e/ou refletem desigualdades estruturais vinculadas a gênero. Questiona-se, assim, se a recomendação de músicas difere a partir do gênero de quem está ouvindo; se artistas de algum gênero são privilegiados; e se o gênero musical interfere na forma como artistas são recomendados. Como resultado, é possível observar que nos diferentes cenários analisados, o gênero masculino geralmente ocupa o maior percentual de recomendação pelas plataformas de streaming. Pondera-se ainda que a falta de representatividade de artistas do gênero feminino, travestis, transexuais e não-bináries seja derivada de uma já existente desigualdade na indústria da música. Portanto, é importante compreender como esta desigualdade é perpetuada por meio dos algoritmos das plataformas e qual é a responsabilidade social que essas empresas têm na promoção da equidade de gênero na indústria nacional.
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