ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 014: Antropologia das Relações Humano-Animais
Sobre riscos e incertezas: antropologia, primatas e primatologia
Fagner Carniel (UEM), Eliane Sebeika Rapchan (Universidade de Coimbra)
O texto parte de um balanço analítico dos contemporâneos estudos sobre primatas e sobre a primatologia na antropologia brasileira, procurando destacar os principais contextos de pesquisa e perspectivas teórico-metodológicas mobilizadas por essas investigações. O objetivo é retomar esse mergulho parcial na literatura antropológica para indagar: o que esses encontros com a primatologia e com os próprios primatas pode nos ensinar sobre a arte de correr riscos na antropologia? Dito em outras palavras, tal aproximação entre primatas e a antropologia brasileira pode afetar os modos de pensar e fazer teoria e etnografia? A hipótese que orienta esta análise está relacionada com a emergência de um conjunto de princípios sobre o fazer etnográfico que estão sendo gestados por esses estudos em um diálogo crítico com a tradição socioantropológica clássica que também problematizou as relações entre natureza e cultura, agência e história, humanos, ambientes e outros seres vivos. Desse modo, enfatizamos uma dimensão dessas relações que tende a ser cada vez mais ativada em contextos de riscos (ambientais, éticos, epistêmicos ou políticos); ou melhor, quando antropólogas socioculturais e biocientistas se situam diante da necessidade de compartilhar um mesmo e urgente problema de pesquisa. Isso porque a população mundial de primatas habita predominantemente regiões de clima equatorial e tropical ameaçadas pela crise climática e ambiental global, o que inclui todo o território brasileiro. Além disso, essas configurações colocam novas perguntas que estão na ordem dos limites e emaranhados entre o fazer pesquisa antropológica sobre encontros multiespécie e/ou fazer antropologia da ciência. Sem a pretensão de esgotar o debate, concluímos o texto procurando argumentar que, mesmo diante das inúmeras incertezas e controvérsias implicadas nesses diálogos multidisciplinares, a prática antropológica só permanecerá humana na medida em que conseguir se manter inclusiva.