ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 083: Patrimônios culturais e meio ambiente: pensando a proteção de modos de vida e territórios de povos e comunidades tradicionais
O cerrado na demanda pela patrimonialização do ofício de raizeira/o
Marilia Amaral (Iphan)
O objetivo do trabalho é compreender a narrativa construída em torno do bioma Cerrado e o peso da dimensão ambiental na demanda pela patrimonialização do ofício de raizeira e raizeiro do cerrado, a qual ainda não foi concluída, estando atualmente em andamento. A candidatura em questão foi proposta formalmente em 2006, quando a Associação Pacari, movimento que se autodenomina rede socioambiental formada por integrantes da sociedade civil que trabalham com saúde comunitária, cultura e meio ambiente”, acionou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a fim de obter o reconhecimento do ofício como patrimônio cultural brasileiro. Nos documentos referentes à candidatura, a associação define da seguinte maneira a atividade: os raizeiros e raizeiras do cerrado são especialistas no uso sustentável das plantas medicinais e na preparação e indicação de remédios caseiros”, detendo conhecimentos tradicionais sobre a identificação das plantas, a compreensão de seu ambiente, manejo sustentável, a maneira correta de coletar as partes usadas de cada planta, indicação e uso das plantas medicinais”. Por meio da pesquisa, é possível perceber que o bioma Cerrado e a preservação ambiental ocupam posições de destaque nessa candidatura a patrimônio cultural, conferindo unidade à diversidade de perfis de raizeiras e raizeiros, distribuídos pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Maranhão. O ofício representa um modo alternativo de gestão da ecologia e o movimento pela sua patrimonialização significa uma aproximação em relação aos setores não só do meio ambiente, mas também da cultura, em busca de legitimidade para desempenhar a atividade.