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Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 005: Antropoceno, Colonialismo e Agriculturas: resistências indígenas, quilombolas e camponesas diante das mutações climáticas
Relações multiespécies e percepções climáticas em propriedades agroecológicas da Zona da Mata mineira
Brendo Henrique da Silva Costa (UFV), Maria Alice Fernandes Corrêa Mendonça (UFV)
Ao caminharmos por propriedades agroecológicas na região da Zona da Mata mineira, presenciamos as relações multiespécies entre os agricultores e os não-humanos (plantas, insetos, animais, solos etc.) que compõem suas paisagens. Essas relações, reconhecem os papeis e contribuições de cada ser nos espaços (Van Dooren, Kirskey e Münster, 2016), onde uma planta de café é considerada um “grande amor” e as larvas da mosca das frutas são reconhecidas como “indicadores de uma produção de qualidade”, não como inimigas. Essa concepção onde os não-humanos não se resumem a recursos é o que diferencia essa agricultura, para aquela praticada nas plantations (Tsing, 2019). As plantations surgiram com a colonização da América, simplificando as paisagens e as relações multiespécies através da diminuição da biodiversidade e estabelecendo a mercantilização de humanos e não-humanos. Para Haraway et. al (2016), essas relações estabelecidas a partir das plantations permitem pensar as questões climáticas atuais, ela denomina esse período como Plantationoceno. No entanto, em contraste com esse modelo, encontram-se os agricultores agroecológicos, que percebem as questões climáticas a partir das relações multiespécies, pois diferentes culturas possuem suas próprias formas de se relacionar e interpretar os fenômenos climáticos (Ulloa, 2017). Neste contexto, a pergunta que instiga esse estudo é como as relações multiespécies são vivenciadas nas propriedades agroecológicas, e como auxiliam na percepção das mudanças climáticas? A percepção das questões climáticas pelos agricultores agroecológicos, mediada pelas relações multiespécies, destaca a importância de preservar e compreender essas práticas locais. O conhecimento, refletido no canto de insetos e no comportamento de animais, evidencia uma sabedoria importante para enfrentar os desafios climáticos. REFERÊNCIAS HARAWAY, Donna; ISHIKAWA, Noboru; GILBERT, Scott F.; OLWIG, Kenneth;TSING, Anna; BUBANDT, Nils. Anthropologists Are Talking – About the Anthropocene. Ethnos, v. 81, n. 3, p. 535–564, 2016. TSING, Anna Lowenhaupt. Viver nas ruínas: paisagens multiespécies no Antropoceno. Brasília: IEB Mil Folhas, 2019. VAN DOOREN, Thom; KIRKSEY, Eben; MÜNSTER, Ursula. Estudos multiespécies: cultivando artes de atentividade. ClimaCom, v. 3, n. 7, p. 39-66, 2016. ULLOA, Astrid. Dinámicas ambientales y extractivas en el siglo XXI: ¿es la época del Antropoceno o del Capitaloceno en Latinoamérica? Desacatos, Ciudad de México, n. 54, p. 58–73, ago. 2017.