Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 092: Retomadas, tessituras e insurgência no fazer antropológico e outros fazeres.
Viver da morte: gestão econômica do luto em Finados no Cemitério Santa Izabel (PA) e no Cemitério Senhor
da Boa Sentença (PB)
Pollyana Calado de Freitas (UFRJ), Elisa Gonçalves Rodrigues (Universidade Federal do Pará), Weverson
Bezerra Silva (UFPB)
Este resumo aborda a economia mortuária ou gestão econômica da morte durante e pós-pandemia de Covid-19
em duas cidades cemiteriais localizadas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, analisando os modos de
prática, comércio e sociabilidade no Dia de Finados nos Cemitérios Santa Izabel (PA) e Senhor da Boa
Sentença (PB). Diante das semelhanças e particularidades observadas nessas duas regiões e cemitérios na
mesma data, objetivamos compreender o processo de visitar os mortos, destacando os aspectos sociais e
econômicos relacionados a esse dia, e as construções de subjetividade. Intuindo destacar os elementos que
constituem o mundo social do cemitério, examinamos questões como o mercado dentro e fora dos muros, a
religiosidade econômica e a presença de novos acessórios que compõem os sistemas de relações que são as
máscaras, o simbolismo da solidão, o número reduzido de enlutados, como também toda a divisão de classes
presente na estrutura do cemitério, que se perpetua nos comerciantes que perpassa as relações dos vivos
e/com os mortos, mostrando a diminuição dos serviços de limpeza dos túmulos. Para tanto, correlacionando
teoria e método, em um movimento que dinamiza a experiência etnográfica na antropologia, a percepção das
vivências cemiteriais, suas práticas socioculturais e as relações construídas entre os indivíduos nos
permitiu visualizar estes lugares não apenas como um local de morte e enlutamento, mas como um espaço de
vida, atividade social, econômica e continuidade simbólica.
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