ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 092: Retomadas, tessituras e insurgência no fazer antropológico e outros fazeres.
Viver da morte: gestão econômica do luto em Finados no Cemitério Santa Izabel (PA) e no Cemitério Senhor da Boa Sentença (PB)
Pollyana Calado de Freitas (UFRJ), Elisa Gonçalves Rodrigues (Universidade Federal do Pará), Weverson Bezerra Silva (UFPB)
Este resumo aborda a economia mortuária ou gestão econômica da morte durante e pós-pandemia de Covid-19 em duas cidades cemiteriais localizadas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, analisando os modos de prática, comércio e sociabilidade no Dia de Finados nos Cemitérios Santa Izabel (PA) e Senhor da Boa Sentença (PB). Diante das semelhanças e particularidades observadas nessas duas regiões e cemitérios na mesma data, objetivamos compreender o processo de visitar os mortos, destacando os aspectos sociais e econômicos relacionados a esse dia, e as construções de subjetividade. Intuindo destacar os elementos que constituem o mundo social do cemitério, examinamos questões como o mercado dentro e fora dos muros, a religiosidade econômica e a presença de novos acessórios que compõem os sistemas de relações que são as máscaras, o simbolismo da solidão, o número reduzido de enlutados, como também toda a divisão de classes presente na estrutura do cemitério, que se perpetua nos comerciantes que perpassa as relações dos vivos e/com os mortos, mostrando a diminuição dos serviços de limpeza dos túmulos. Para tanto, correlacionando teoria e método, em um movimento que dinamiza a experiência etnográfica na antropologia, a percepção das vivências cemiteriais, suas práticas socioculturais e as relações construídas entre os indivíduos nos permitiu visualizar estes lugares não apenas como um local de morte e enlutamento, mas como um espaço de vida, atividade social, econômica e continuidade simbólica.