Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 076: Antropologia nos Museus: coleções etnográficas, detentores e artistas
Arquivos de povos indígenas: vislumbres e caminhos para o apoio à gestão autônoma
Luísa Valentini (USP)
Quando se fala em memória dos povos indígenas, se pensa imediatamente em práticas tradicionais de
transmissão de conhecimentos, em projetos culturais, ou então, em documentação que é do seu interesse e foi
produzida por pesquisadores ou instituições que trabalham junto a eles. Apesar disso, já faz várias décadas
que os povos indígenas no Brasil produzem e reúnem conjuntos documentais diversos, produzidos por eles
próprios: famílias e casas têm documentação pessoal guardada; associações indígenas têm suas memórias;
escolas indígenas também produzem documentação.
Essa memória documental é percebida contemporaneamente por lideranças, professoras e professores, e pela
juventude indígena como um recurso a mais para o fortalecimento intergeracional na construção da vida
cotidiana, e da garantia dos direitos à memória e à cultura, à educação escolar diferenciada e o direito
fundiário.
Os documentos produzidos em contextos indígenas podem ser encontrados em papel, em fitas cassete e em
formato digital variado. Eles também podem estar distribuídos em redes de parentesco, de aliança política,
de colaboração em pesquisa, e mesmo sob a custódia compartilhada de instituições. Como construir uma gestão
autônoma desse material, garantindo a sua preservação para gerações futuras e ao mesmo tempo de modo
respeitoso à sensibilidade e ao cotidiano de cada povo e cada comunidade?
A apresentação será feita de modo a compartilhar questões técnicas, de direitos e políticas, e construir uma
conversa com os participantes do GT.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
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