Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 012: Antropologia das Emoções
Emoções entre jogadores de xadrez
Amanda Mello Andrade de Araújo (UFF)
Esse texto é resultado de uma investigação mais ampla na qual busquei analisar a formação do habitus de jogadores de xadrez, com ênfase em três aspectos: performance, corpo e emoções. No recorte aqui proposto, dedico-me a apresentar os resultados relativos ao terceiro eixo. Analiso, portanto, a partir de uma perspectiva contextualista, os discursos sobre emoções produzidas no âmbito do referido esporte, a partir de uma incursão etnográfica feita durante dois anos não apenas em um clube de xadrez, como em torneios estaduais e nacionais. Os resultados apontam para uma presença multifacetada da circulação desses discursos no ambiente pesquisado, contrapondo-se a ideia comumente aceita de que enxadristas seriam sujeitos "frios", "calculistas", destituídos de emoções. Discuto como os torneios presenciais de xadrez tornaram-se um indutor significativo de emoções de valência positiva em tempos posteriores ao isolamento social que ocorreu durante a pandemia da COVID. Abordo ainda como o rating , taxa de performance da modalidade, tornou-se um dispositivo regulador das emoções durante as partidas em competições e como os significados atribuídos à derrota estão articulados à honra dos jogadores. Por fim, discuto como o xadrez, apesar de ser um esporte em que não há distinção formal entre gêneros nas competições, acaba por atualizar essa diferença no plano emocional.
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