Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 001: A produção de conhecimentos em situações de conflito
Confluências e trajetos de resistência da Comunidade Quilombola Sumidouro (PI) na era da transição energética
Isadora Fortes do Espírito Santo (UNB)
Neste artigo investigo sobre transformações geradas por grandes empreendimentos de energia eólica na Comunidade Quilombola Sumidouro, situada em Queimada Nova/ Piauí, o município brasileiro que abriga o maior complexo eólico em operação na América do Sul (o complexo eólico Lagoa dos Ventos). Empreendimentos de tal natureza são uma resposta às novas tendências mundiais de políticas e planos de transição energética, que buscam reduzir os efeitos das mudanças climáticas por meio de investimentos em fontes de energia mais sustentáveis. Contudo, é desafiador realizar essa transição de maneira justa e democrática, respeitando as populações tradicionais, povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Esse desafio é compartilhado pela CRQ Sumidouro, que desde 2018 enfrenta transformações e conflitos relacionados à garantia de direitos e à proteção de seu território tradicional frente às intervenções de quatro empresas de energia. Estas acabam apresentando riscos à manutenção do direito ao território tradicional, e geram desafios que evidenciam a forte lógica hegemônica que prioriza a terra como mercadoria em detrimento da terra/ território. Nesse sentido, a pesquisa centraliza-se nas confluências (Bispo, 2023) e percursos de articulação política da comunidade na defesa e garantia dos direitos territoriais, ressaltando os processos de formação e fortalecimento das redes de articulação quilombola da região: causa e também efeito da agência quilombola diante as negociações entre a comunidade, o estado e as empresas que intervieram em território sertanejo, campesino e quilombola.
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