ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 086: Povos indígenas e experiências de construções biográficas
MA’E UHUA’U IAPO PYR: modos indígenas de compor projetos
Anderson Augusto Mota Serra (UNIFESP), Melvina Afra Mendes de Araújo (UNIFESP), Paula Marize Nogueira Pereira (UFMA)
Este trabalho realiza uma etnografia em relação aos modos indígenas do povo Tentehar, falantes de uma variante do Tupi-Guarani (RODRIGUES, 1986), de conceber práticas segundo a concepção de ma’e uhua’u iapo pyr, que envolvem estratégias produzidas na relação com empreendimentos econômicos vinculados ao agronegócio e extrativismo mineral e vegetal complexificados como projetos dos karaiw. Partindo de uma experiência de pesquisa anterior na cidade maranhense de Imperatriz, junto a indígenas Tentehar, a pesquisa foi desenvolvida a partir dos discursos de interlocutores provenientes das Terras Indígenas (TI) Araribóia, Rio Pindaré e Cana Brava/Guajajara, que vêm experimentando nas últimas décadas uma série de transformações econômicas, que põem em xeque a preservação daquilo que esse povo considera importante para gerar uma “boa vida” visando a preservação da biodiversidade, humana e não humana, das terras onde vivem constituídas, em grande parte, pela floresta amazônica. Para tanto, enfocamos o ma’e uhua’u iapo pyr, uma concepção produzida pelos Tentehar através das relações entre produção de conhecimentos apreendidos nas suas relações com os karaiw – não indígenas – e outras alteridades (outros indígenas, “não-humanos”, etc.) para lidar com os impactos ocasionados pelos projetos dos karaiw.