ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 081: Os limiares do corpo: a circulação de substâncias corporais e a produção de pessoas e relações
Testosterona por um olhar transviado
Tui Xavier Isnard (UNICAMP)
O presente artigo pretende produzir uma conversa com a testosterona atenta às suas características ambíguas. Um dos modos de perceber a agência da testosterona é o processo de aromatase, no qual, uma alta taxa de testosterona (+800ng/dl) converte-se parcialmente em estrogênio. Essa capacidade de mutação da testosterona em estrogênio aponta para uma instabilidade da substância, que, indefinida em si, pode tornar-se seu outro. Descubro o gesto da aromatase em decorrência de uma pesquisa de campo com/na transmasculinidade, que envolve análises conjuntas (entre pacientes trans e o clínico geral da UBS) de exames de sangue. Portanto, nesta análise a testosterona se faz ver através da relação que estabelece com a materialização de corporalidades transmasculinas. A história da descoberta dos hormônios sexuais indica a implicação entre os imaginários sobre gênero e o regime da diferença sexual atuantes no contexto das pesquisas. Na descrição dos experimentos, e do próprio hormônio, foi produzida a virilização da testosterona, assim como o corpo humano foi atravessado por uma substancialização total, tornando o corpo sexuado efeito dos índices hormonais. Portanto, este artigo pretende, seguindo a proposta de Roy (2018), re-habilitar o conceito de sexo dentro dos estudos feministas. Sugiro um olhar transviado sobre a testosterona, referenciado na processualidade da materialização de corpos transmasculinos e com o propósito de repensar o conceito de sexo enquanto natureza em ação. As noções de intra-ação (Barad, 2021) e naturocultural (Haraway, 2019) são ferramentas de tensionamento para pensar-com os hormônios como produtores de sexo/natureza.