ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 028: Antropologias e Deficiência: etnografias disruptivas e perspectivas analíticas contemporâneas
Desfiguração com agentes químicos: sobre a debilitação de corpos e a criação de deficiências
María Elvira Díaz Benítez (PPGAS)
Este trabalho apresenta reflexões sobre experiências de agressão realizadas com agentes químicos, comumente chamados de ácidos, sobre corpos que ficam com desfigurações, especialmente no rosto, tórax e extremidades, e passam a sofrer deficiências de mobilidade, visão, audição, fala, respiração ou exposição ao sol, entre as mais comuns. O trabalho de campo vem sendo feito desde 2019 em Bogotá (Colômbia) entre pessoas, majoritariamente mulheres, que viveram ataques com agentes químicos e passam atualmente por longos processos de recuperação via cirurgias, fisioterapias, psicoterapias e intervenções funcionais/estéticas. Colômbia chegou a ser considerado em 2012 o primeiro país do mundo em apresentar incidências de ataques com ácidos, o que tem gerado diversas legislações para o controle dos mesmos, rotas de atendimento em saúde para as vítimas e organizações de prestação de assistência, varias das quais geridas pelas sobreviventes, como chamam a si mesmas. O meu intuito é refletir sobre a violência e a afetação do corpo violentado nos níveis da desfiguração, o adoecimento e o comprometimento das capacidades funcionais. Violência será desdobrada em noções como mutilação, entendendo-a como uma técnica específica que tem como efeitos a debilitação de corpos (Puar, 2017), o rebaixamento moral, ou como já tenho defendido, a monstrificação do outro (Díaz Benítez, 2021). Em resumo, proponho pensar as relações entre as categorias trauma, humilhação, debilitação e deficiência, refletindo também sobre os efeitos subjetivos, as transformações nas vidas após o ataque e os engajamentos realizados para o refazimento de si.