ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 053: Estudos Etnográficos sobre Cidadania
Uma (In)corporação de extermínio: entre corpos, territórios e violência no Amapá
Juliana do Socorro Rocha da Silva (UNIFAP)
Neste trabalho reflito sobre as dinâmicas sociais de violência em áreas geográficas específicas do estado Amapá, a partir da minha inserção na pesquisa que relaciona mídia, criminalidade e violência em Macapá, localizado estado com o maior índice de letalidade policial do país a cada 100 mil habitantes (FBSP, 2023). Nesta pesquisa me utilizo de páginas de notícias locais, e institucionais da Polícia Militar- AP para somar com reflexões sobre a violência em suas diferentes facetas, a saber o que a disseminação deste tipo de conteúdo tem produzido. Aqui tento traçar como dinâmicas sociais locais de violência referem-se a interações com certos corpos e modos de vida específicos do Estado. A constatação feita é de que o cenário de confronto com a polícia e a letalidade policial revela um padrão de ocorrências nos bairros que se aglomeram em torno das áreas de ponte/áreas de ressaca do estado ou nos conjuntos habitacionais do governo. Observa-se que a violência incorporada pela instituição da Polícia Militar não somente é uma técnica letal bem como um padrão de agir, um habitus (Bourdieu, 1989) autorizado coletivamente. É por meio de técnicas aprendidas e internalizadas que expressões de violência ganham forma. O corpo é importante aqui por se tornar um lugar na medida em que a diferença é expressa, tornando-se território que abriga expectativas e prática sociais, que inclui manifestações da violência estatal (NAST, 1998). Aqui o corpo também é elemento decisivo das relações de poder em várias dimensões desde a forma como são percebidos e tratados através da violência, punição ou mesmo a letalidade, aqui expresso na figura do bandido/criminoso, ou valorizados, como os policiais, que se transfiguram em guerreiros/heróis”. A desumanização e a naturalização da morte para certos grupos, tensiona a linguagem universal dos direitos humanos com uma nova gramática da violência expressas em: CPF cancelado", "Sal neles" e "padrão A "sociabilidade violenta", o elemento que fragmenta a vida cotidiana e coexiste com diferentes formas de vida, destaca a inexistência de um "mundo comum, resultando na fragmentação da cidadania (FREIRE, 2010). Cidadãos que pertencem a grupos historicamente marginalizados enfrentam uma realidade em que seus direitos são frequentemente desrespeitados, e a violência policial muitas vezes recai de maneira desproporcional sobre esses grupos. A polícia do Amapá como maior representante da letalidade policial no Brasil se torna um reflexo direto dos desafios enfrentados na consolidação de uma cidadania plena para todos.