ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 044: Dialéticas da plantations e da contraplantation: expropriação, recusa e fuga
Povo Truká e Agrobiodiversidade: Território, Resgate, Memórias e Perspectivas
Cristilene Tarcila dos Santos (UEFS)
Enquadrando-se em uma análise de planejamento territorial, na interface entre sociedade e natureza, envolvendo a população indígena Truká de Pernambuco, suas relações com seus quintais agroflorestais produtivos, percepções e usos do território, segurança e soberania alimentar. Com os debates acerca da agrobiodiversidade se ampliando cada vez mais, principalmente no que diz respeito à contribuição dos aspectos culturais das comunidades tradicionais (SANTILLI, 2009). No entanto, a excessiva concentração econômica estabelecida pelos grupos agroindustriais vem transformando as populações tradicionais dependentes do fornecimento de produtos e alimentos industrializados (PLOEG, 2009). O que nesse processo de globalização e padronização agrícola, diversas variedades de plantas melhoradas por meio das práticas tradicionais estão sendo progressivamente substituídas e abandonadas por cultivares comercializados e desenvolvidos pelos grandes setores empresariais. O objetivo da pesquisa é uma compreensão de como os quintais dos Truká, mantém e desenvolvem variedades de espécies e modos de manejos tradicionais, que compõem o ecossistema agrícola, decorre de práticas que beneficiam a agrobiodiversidade, que pode ser definida como uma parcela da biodiversidade empregada na agricultura familiar. O principal ponto é demonstrar como os quintais agroflorestais dos indígenas Truká podem contribuir para uma maior agrobiodiversidade e recuperação da degradação ambiental. Trazendo registros etnográficos, em colaboração com a comunidade Truká, para descrever, compreender e relatar suas experiências e percepções sobre o que é território e suas relações com os quintais agroflorestais, compreendendo as possíveis alterações sofridas com os impactos ocasionados pela entrada de não indígenas no território. Buscando entender e caracterizar a cultura através do ponto de vista da própria comunidade (SPRADLEY, 1979), registrando-se o cotidiano, acesso às memórias, observações e conhecimento empírico dos moradores em suas atividades relacionadas com o cultivo e manejo agrícolas, e práticas ritualísticas para a lida com o solo. Outra metodologia que será utilizada nesta pesquisa foi proposta e executada pela psicóloga negra e teórica interdisciplinar, Grada Kilomba (2008), no livro Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano (KILOMBA, 2008). Seguindo o exemplo de Kilomba, compartilhando relatos subjetivos da minha própria experiência, afetos e vivências como mulher indígena truká. A qual, nas palavras da autora, para uma epistemologia que inclua o pessoal e o subjetivo como parte do discurso acadêmico, pois todas/os nós falamos de um tempo e lugar específicos, de uma história e uma realidade específica - não há discursos neutros”(2019: 58).