Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 103: Universidade Indígena no Brasil: experiências e possibilidades
Perspectivas indígenas sobre museus - apontamentos para práticas colaborativas
Karenina Vieira Andrade (UFMG), Marciane Rocha (UFMG)
Neste trabalho, pretende-se fazer uma reflexão sobre como poderíamos traduzir os conceitos de museu e patrimônio cultural para as perspectivas indígenas, de modo a construir práticas museais colaborativas, nas quais diferentes visões possam estabelecer um diálogo simétrico. A discussão será baseada na experiência e no diálogo entre a antropóloga Karenina Andrade e a estudante indígena Marciane Rocha. As autoras se propõem a refletir sobre o tema a partir de suas perspectivas – a antropóloga, a partir de sua experiência de pesquisa etnográfica junto ao povo Ye’kwana, e a estudante de antropologia e artesã ye’kwana, a partir de sua visão de mundo e sua atuação como mediadora no Espaço do Conhecimento UFMG. Ambas estiveram envolvidas, de diferentes maneiras, com a exposição “Mundos Indígenas”. Inaugurada em dezembro 2019 no Espaço do Conhecimento UFMG, um museu universitário, a exposição contou com a participação de cinco povos indígenas, que foram convidados a apresentar um pouco de seus mundos para os não indígenas. Participam da exposição os povos Yanomami, Maxacali, Xacriabá e Pataxoop e Ye’kwana. Ao longo do trabalho, as autoras discutem o tema a partir do que significou para o povo Ye’kwana levar parte de seu mundo para dentro de um museu. As autoras discorrem sobre os processos de fabricação dos “objetos” que foram escolhidos para compor a parte ye’kwana da exposição “Mundos Indígena” e que são utilizados tanto em contextos rituais quanto na vida cotidiana, de modo a refletir sobre a composição e fabricação de tais itens, em que a expertise e a técnica envolvidas passam desde a preparação dos materiais de fabricação até os cantos aichudi. Como, pois, garantir que não figurem como meras coisas inertes, ao serem exibidas como parte de uma coleção em um museu na cidade? Fazemos alguns apontamentos para repensar a presença dos mundos indígenas em museus, a partir da experiência na produção da exposição “Mundos Indígenas” pelo povo Ye’kwana.
A partir da experiência com a exposição em um museu universitário, as autoras refletem também sobre a relação entre as iniciativas fomentadas pelas universidades em projetos de pesquisa, extensão e ensino relacionados aos povos indígenas que sejam pensados como parte de práticas inclusivas dialógicas.