ISBN: 978-65-87289-36-6 | Redes sociais da ABA:
Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 066: Imagens emergentes: antropologia e (re)montagens de arquivos audio-visuais
A Covid-19 experienciada: adoecimento e experiência pública desde uma Antropologia Visual da Saúde
Geissy dos Reis Ferreira de Oliveira (UFPB)
Desenvolvi junto com Ruanna e outras três interlocutoras, no âmbito do mestrado em Antropologia pela UFPB, uma pesquisa orientada à compreensão de experiências de adoecimento por Covid-19, vivenciadas por mulheres domiciliadas na cidade de João Pessoa/PB. No contexto dessa pesquisa, centrada no adoecimento e na vida em meio à pandemia, foi elaborado um conjunto de imagens. O enfoque da citada pesquisa, e logo do ensaio fotográfico, remete à Covid-19 vivenciada e também a uma experiência pública em torno da Covid-19. É com Ruanna que elaboro conjuntamente este ensaio. Em sua condição de experiente (ANDRADE; MALUF, 2017) e coautora, Ruanna narra suas próprias experiências de adoecimento, comigo dialogadas numa narrativa verbal. E na medida em que determinadas dimensões dessas mesmas experiências, somadas e emaranhadas (INGOLD, 2012) à experiência pública, passam a existir também como relatos visuais, elaborados como fotografias, podem ser vistas, e não apenas ouvidas ou lidas, e assim, podem vir a aportar aspectos que a experiência guarda de indizível. É de experiências pandêmicas que buscamos produzir imagens, e com isso elaborá-las imageticamente, num exercício também de registrar seus rastros, e os da política de morte bolsonarista. Sem, no entanto, nutrir a pretensão de registro da realidade, muito menos, de fruir por uma episteme de objetividade universalizante. Trata-se sim, da construção de imagens que assumem minha própria afetação e também a de Ruanna, as experiências vividas no marco da Covid-19, e a própria condição situada e corporificada do conhecimento. Importante destacar que inúmeras pesquisas antropológicas, na intersecção entre corpo, saúde, adoecimento e imagem já foram e vêm sendo elaboradas, com destaque para Christos Lynteris (2020) em sua análise da relação guardada entre fotografia e pandemias. Marcada a continuidade, importante dizer que é próprio deste trabalho, não a análise de imagens já produzidas, e sim a criação de novas imagens pandêmicas, que podem ser, elas próprias, recursos terapêuticos no processo de elaborar o adoecimento de Covid-19 para quem o experiencia, ao mesmo tempo em que permitem tanto aportar dimensões indizíveis desse processo, como ampliar as linguagens em que temos acesso à experiência do adoecimento. Dito isso, não se trata aqui de uma proposta epistemológica inaugural, no sentido de que não são inéditas investigações e produções na esteira dessa intersecção, se não, de lançar a possibilidade de uma "Antropologia Visual da Saúde", de fazer do diálogo entre antropologias (da saúde e visual), um campo antropológico em si, um campo emergente.