Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 034: Casas, cozinhas, quintais e suas agências em coletivos quilombolas, sertanejos, pescadores, indígenas e camponeses
A dimensão doméstica no cuidado com a saúde entre as mulheres indígenas
Valéria da Silva Santos (UFBA)
A partir de estudos bibliográficos entre mulheres indígenas no Nordeste brasileiro, é impossível refletir acerca da importância da dimensão doméstica e da socialidade no cuidado com a saúde. Embasado em estudos etnográficos com as mulheres indígenas Tupinambá de Olivença, Pataxó Hãhãhãe, na Bahia, Pankararu, em Pernambuco, Tapeba e Tremembé no Ceará verifica-se a prática de auto cuidado baseada, predominantemente, na utilização de plantas medicinais e na observância de determinados cuidados - denominado de resguardo. As plantas medicinais são comumente cultivadas nos quintais pelas mulheres. O conhecimento acerca das plantas medicinais, assim como do resguardo, é socializado de acordo a necessidade em que se apresenta. Cada qual compartilha seus conhecimentos sobre as formas de cura e cuidado, bem como as plantas medicinais que são necessárias para tal. Assim, é comum que as mulheres frequentem os quintais uma das outras, sendo muitas das vezes, este ambiente a porta de entrada para a casa. Ademais, como traz Joana Overing (1999), a influência da dimensão doméstica não está limitada a casa, ao ambiente privado. Os encontros, as convivências e as socialidades ocorridos no ambiente doméstico reverbera nas decisões coletivas e do que seria esse ambiente fora de casa, o público. É à beira do fogão onde se une. A mulher, dona da casa, que agrega seus filhos (as), noras, genros, netos (as) é inferida de respeito e autoridade, por ser ela quem alimenta e cuida. Contudo, esse ambiente doméstico foi despercebido na tradição antropológica, focada na maior parte das vezes nas figuras masculinas e nos espaços públicos. Por isso, o olhar sobre o ambiente doméstico e, as figuras femininas, traz consigo o potencial de compreender as agências em coletivos.