Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 096: Sexualidade, gênero, raça e territorialidades: articulações, pertencimentos e direitos em disputa
"O Papel da Religião na Construção da Identidade de Mulheres Evangélicas Estudantes da UFBA"
Juliana Maria Teixeira da Conceição (UFBA), Andressa Verena Luz França (UFBA), Alice Alves de Carvalho
(UFBA)
A construção da identidade perpassa diversas experiências da vida humana. Nesse sentido, a religião,
como âmbito de vivência, transformação social, e emergência de novos sujeitos, pode ser entendida como um
importante elemento no que tange a construção identitária muito em virtude da natureza das práticas,
conhecimentos e discursos envoltos. Tendo em vista que a identidade feminina é construída socialmente, fruto
da vivência de um coletivo cuja conjuntura sócio-histórica remete a definição de papeis e, consequentemente,
atores sociais e suas atribuições na sociedade, as religiões pentecostais apresentam-se como âmbito de
conhecimento para analisar como religião e gênero podem se articular, ao mesmo tempo que servem como guia
para a identidade desse grupo influindo diretamente na subjetividade dessas mulheres. O tema a ser abordado
na pesquisa visa dar agência às mulheres envolvidas, uma vez que procura escutar e entender, através de seus
discursos, como ocorre esse processo de construção da identidade a partir de suas experiências. Assim, o
presente trabalho buscou compreender, através da realização de entrevistas e grupos focais, a visão de
estudantes evangélicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A escolha metodológica fora de uma análise
qualitativa através do uso de categorias da análise do discurso da linha inglesa levando em consideração a
importância da experiência no social e sua capacidade reveladora nos meandros discursivos, uma vez que se
busca observar a potencialidade dessas mulheres enquanto sujeitos, sobretudo, sociais e políticos, atuantes
e passíveis, ao mesmo tempo, de influência exterior para suas subjetivações e, ademais, contou com a
combinação do respaldo teórico tanto da linha sociológica quanto da antropológica. Nesse ínterim, foi
desejoso mostrar como arcabouços conceituais tais como as noções de gênero", " subjetividade e religião,
por exemplo, são moldadas e moldam o comportamento desse coletivo, e não somente isso, como essas categorias
se entrecruzam. Observou-se como resultado depois do contato com as estudantes e através da análise e
interpretação dos dados coletados que a religião possui sim um caráter elementar e fundante na construção de
suas identidades, perpassando as suas subjetividades, porém ela não é um fator exclusivo, o que levou a
percepção de que a produção de determinadas subjetivações e corpos no que toca ao gênero e religião
necessitam, ordinariamente, de outros contextos de atravessamento.