Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 085: Pesquisas sobre infâncias a partir das cosmologias tradicionais
Cosmologias Awa Guajá, Criança, Espaços e Tempos Educativos
Rosana de Jesus Diniz Santos (UEMA), Iara Tatiana Bonin (PUCRS)
Estudos de Antropologia dedicados às crianças se consolidaram, no Brasil, em especial a partir dos anos
1980, e ampliaram as possibilidades metodológicas e analíticas acerta dos processos educativos e do lugar da
criança enquanto produtora de cultura. Por meio de um olhar atento para as práticas das crianças, suas
rotinas, suas brincadeiras, seus afazeres, suas interações e formas de circulação, é possível problematizar
entendimentos universalistas de infância e do ser criança. A presente comunicação se propõe a contribuir com
o debate sobre o lugar das crianças em cosmologias de povos originários a partir de uma reflexão sobre as
crianças Awa Guajá, povo indígena da Amazônia maranhense. As discussões apresentadas derivam de um processo
de trabalho docente e de observação contínua de uma das pesquisadoras/autoras do texto, com os Awa Guajá,
entre os anos 2000 e 2020, e se constrói a partir de registros em Diário de Campo. O objetivo é discutir as
pedagogias e os processos de aprendizagem do povo Awa, entendendo que estes balizam as ações possíveis das
crianças, os espaços, tempos e formas de circulação, bem como os modos de cuidar e educar nos contínuos e
dinâmicos processos de produção cultural. A análise organiza-se em torno de dois eixos principais, sendo um
dedicado à explicitação de contextos educativos específicos e da ação das crianças Awa e o segundo dedicado
ao espaço da floresta, entendido como ambiente de aprendizagens, de conexões e de modos de viver que integra
os processos culturais educativos do povo Awa Guajá.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
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