Trabalho para SE - Simpósio Especial
SE 05: Antropologia visual, re-existências e mundo porvir
Câmera Arco, Imagem Flecha
Edgar Nunes Corrêa (UFMG)
Os povos indígenas no Brasil vem ao longo do tempo passando por uma nova retomada de apropriação de espaço, assim como o território é a base da garantia da manutenção sociocultural e continuação de ser o que somos, há uma certa necessidade de se ter uma forma que garanta tal sustento. Dentre diversos meios e possibilidades, surge uma nova ferramenta de luta que é o audiovisual, especificamente a fotografia, visto por muitas comunidades indígenas como um “mal necessário”. Por um lado a chegada dessas novas tecnologia é vista como uma má influência na cultura do povo, por outro lado há um certo desejo para que se usa esta nova “arma” a favor da luta e garantia dos direitos dos povos indígenas. Mas, o que implica numa comunidade indígena ter uma arma “emprestada” pelo “outro” e aos poucos se (re) apropriar desta ferramenta afim de usar à partir do seu ponto de vista proprio. Estas são umas das principais questões que surgem nos debates entre indígenas cineastas, fotógrafos, artistas. A partir daí podemos refletir sobre essas questões, quais são as implicações que se faz da imagem/alma/espírito, - ou como dito em Akwē Xakriabá, HÊMBA - a partir do ponto de vista propriamente indígena, não somente através da lente mas que atravessa ela. O que estou chamando de “Etnovisão” é justamente o ponto de vista sobre o nosso mundo indígena e o mundo do “outro” visto à partir da “objetiva” deste corpo-câmera.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
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