Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 094: Saberes Localizados, escritas de si e entre os seus: desafios político-teóricos e metodológicos nas práticas etnográficas
A antropologia e os outros, e o outro que sou eu: reflexões sobre um trabalho de campo feito por e com
mulheres negras em deslocamento
Elisa Hipólito do Espírito Santo (Afro-Cebrap)
A proposta deste texto nasce de alguns questionamentos e reflexões que surgiram durante os quatro anos
em que realizei um trabalho de campo e de pesquisa junto com mulheres negras imigrantes na cidade de São
Paulo. Sendo eu uma mulher negra, pesquisadora, belorizontina, que já foi imigrantes e que agora mora em uma
cidade outra que não a sua natal. Reflexões essas que se misturam à sentimentos e compartilhamentos mútuos e
distintos das experiências de sermos corpos femininos negros em constante trânsito. Diante dessa convivência
intensa se fez necessário e imprescindível durante a escrita da dissertação falar de mim e como o meu corpo
se coloca em campo: como o campo me comove, tornando a minha escrita constituída da minha subjetividade e
história. Sendo assim, no presente texto, inicialmente analiso e retomo as discussões sobre os
distanciamentos e aproximações entre pesquisadores e interlocutores, já que foram movimentos que vivenciei e
me questionei durante todo esse processo. Posteriormente dialogo com as colaborações de autoras e autores
que defendem o pesquisar de perto e de dentro, de construir uma pesquisa encarnada (Nascimento, 2019;
Messeder, 2020) e com posicionamento político associada ao desejo de uma Ciências Sociais e de uma
Antropologia aberta para a escrita de si, da escrevivência, atenta às subjetividades e apta às
reelaborações.
© 2024 Anais da 34ª Reunião Brasileira de Antropologia - 34RBA
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