Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 056: Etnografias do catolicismo: práticas, rituais, experiências e trajetórias em perspectiva
Ativismo ambiental católico no Brasil: Um olhar ao paradigma da ecologia integral
Breno Botelho (Museu Nacional - UFRJ)
Ao longo da última década um termo ganha destaque no interior de grupos católicos atentos às
transformações socioambientais, reconfigurando narrativas e práticas no interior do catolicismo, esse termo
é ecologia integral.
Partindo de dados coletados ao longo de dois anos de trabalho de campo multissituado, junto a grupos
católicos ligados a agenda socioambiental nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Bahia
e junto a CNBB, em Brasília, como parte de doutorado em Antropologia Social em curso no Museu Naciona-UFRJ
sobre ativismo ambiental católico em contexto de evento-crítico, o presente trabalho se debruçará sobre
influências e inspirações orbitantes no conceito de ecologia integral a partir de sua mobilização por grupos
ligados ao ativismo ambiental católico no Brasil.
A ação sócio-pastoral empreendida por esses grupos reivindica como fundamento prático-teológico a noção de
ecologia integral, sistematizada na carta encíclica Laudato Si (2015). Nela, a noção de integralidade é
estruturalmente trabalhada de forma a construir pontes entre diferentes matrizes de conhecimento e
realidades sociais.
Compreendendo enquanto interdependentes as crises ecológica e social, enfatizadas como decorrentes do modelo
de produção capitalista (cf. FRANCISCO 2015. p.95), promove a crítica do paradigma desenvolvimentista
(ESCOBAR, 2007; SVAMPA, 2016, 2019; LINS-RIBEIRO, 1991, 2014) de alta entropia, baseado na extração de
commodities, no incentivo ao consumismo e individualismo (FRANCISCO, 2015, pág. 83). Em oposição ao qual se
propõe um novo paradigma econômico, articulando elementos das chamadas economia humana e economia ecológica
(DELGADO, 2021).
Encontrando no conceito de Antropoceno uma ancoragem, articula uma aproximação com as chamadas Ciências da
Terra, referenciando a compreensão da Terra enquanto organismo vivo (LOVELOCK 1979, 1991) e enquanto novo
ator político (MANIGLIER, 2020).
Em sintonia com a compreensão de giro ecoterritorial (SVAMPA, 2019), sinaliza-se, ainda, uma atenção às
dinâmicas territoriais do conflito, compreendidos, contudo, a partir de uma dimensão estrutural na relação
local-global.
Diante de uma religião marcada por formas plurais de pertencimento (TEIXEIRA, MENEZES, 2009) sua abordagem
populariza essa ecoteologia no interior do campo progressista católico, que tem se tornado seu maior
divulgador em um contexto eclesial marcado por profundos antagonismos.
Esta pesquisa parte de uma compreensão construtivista sobre o fenômeno religioso e tal como operacionalizado
por Christina Vital e Renata Menezes (2014), proponho uma abordagem do catolicismo em conexão, não
reificando as identidades religiosas a priori mas procedendo à contextualização da forja dessas identidades
em relação aos múltiplos contextos da vida social.