Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 048: Ensinar e aprender Antropologia
Letramento Acadêmico em Antropologia: um pilar para a construção de saberes coletivos na (e da) Universidade.
Fabiany Silva Ferreira dos Santos (UFMG), Beatriz Garcia Targino Teodoro Teodoro Da Costa Silva (UFMG), Rogério Brittes Wanderley Pires (UFMG), Glória Maria Vagioni Téga Calippo (UFMG)
Os cursos de ensino superior no Brasil apresentam percalços que podem se transformar em um grande obstáculo para recém ingressos à Universidade, principalmente aqueles que não desfrutaram de uma formação pregressa, consistente e completa. A graduação em Antropologia não foge à regra, existem algumas especificidades que causam insegurança e ansiedade como, por exemplo, a alta carga de leitura, exigência de habilidade para escrever em estilos acadêmicos, pensamento crítico e até questões sobre a própria universidade e sua estrutura acessos às bibliotecas, sistemas, auxílios e etc. De modo geral, os discentes que ingressam no curso apresentam dificuldades de adaptação e inserção ao ambiente acadêmico.
Visando uma adaptação mais leve, o Projeto Letramento Acadêmico em Antropologia e Arqueologia se dispõe a amparar estes alunos, oferecendo suporte e tirando dúvidas sobre o ambiente acadêmico, para que possam aperfeiçoar suas capacitações e ler, pensar, falar e escrever academicamente. Este projeto é financiado desde 2020 pela Pró-Reitoria de Graduação da UFMG (PROGRAD), através do Programa de Desenvolvimento do Ensino de Graduação (PDEG). Vinculado ao Colegiado da Graduação em Antropologia e Arqueologia da UFMG, nele atuam em conjunto professores, pós-graduandos e graduandos, aproximando não apenas as duas áreas de nosso curso, mas também a comunicação e a divulgação científica.
O projeto produz vídeos, minicursos, oferece monitorias e plantões tira-dúvidas, discutindo questões levantadas pelos alunos do curso. Entre as demandas que recebemos, surgem assuntos como escrita acadêmica, criação e atualização do lattes, possibilidades profissionais etc. Nessa apresentação, daremos ênfase aos vídeos que produzimos, alguns dos quais já estão disponíveis em https://www.youtube.com/@antropologiaarqueologia.
Apresentaremos o processo de construção das gravações, que visam sanar dúvidas e contribuir para uma inclusão na faculdade que costuma ser, infelizmente, desigual e elitista. As vivências e visões de mundo deixam rastros, por um lado, podem ser prejudiciais como, por exemplo, para alunos de escola pública que se veem diante de um mundo acadêmico completamente novo, hierárquico e que não foi pensado, nem de longe, para incluí-lo mas por outro, possibilitam a intencionalidade de passar pelo caminho transformando-o, causando mudanças e tirando um pouco das pedras que, antes, ocupavam toda a trilha. A partir desse pensamento, surge um projeto que visa colaborar a longo prazo para uma sonhada e, infelizmente ainda distante, equidade; mas que ao mesmo tempo, atinge seus objetivos propostos a curto prazo e provoca um efeito dominó, sendo uma das peças atingidas a própria Antropologia, acessada e composta por quem antes não chegava nem às portas da academia.