Apresentação Oral em Grupo de Trabalho
GT 055: Etnografias de processos de resistência de povos indígenas em Estados e governos de exceção
A Dupla Vida do Estado na Mobilização da Juventude Kaiowá e Guarani
Arthur Paiva Octaviano (UFSC)
O presente trabalho é fruto de um acúmulo teórico e etnográfico de reflexões que partiram durante a
feitura de minha dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-graduação em Antropologia da
Universidade Federal da Grande Dourados (PPGAnt/UFGD), onde me dediquei a pesquisar os efeitos dos
dispositivos de criminalização, violência e punição do Estado e de sociedades civis e patronais vinculadas
ao agronegócio como métodos para atravancar a mobilização política da juventude Kaiowá e Guarani na região
sul de Mato Grosso do Sul, representada pelo coletivo Retomada Aty Jovem (RAJ). Durante a etnografia percebi
que, na atual composição política dos jovens Kaiowá e Guarani, o Estado é visualizado como uma figura de
contradição e equívoco, desempenhando, ora um papel de assistência e aliança, ora um papel repressivo e
punitivo contra estes coletivos, utilizando de artifícios jurídicos, cristalizados em operações de
reintegração de posse, que contam com um forte expediente policial, principalmente em áreas de retomadas.
Este jogo de produção de uma política de boa distância (Levi Strauss, 2004), complexifica as relações
(cosmo)políticas dos Kaiowá e Guarani, o Estado, entendido como o instrumento da política do modo de vida
dos brancos karaí reko kuera, pode ser um aliado ou um inimigo - razão pela qual utilizo o termo dupla vida
(Morel, 2023) para designar essas complexas relações - a depender das circunstâncias. Logo, a ação política
do coletivo com o qual convivi por cerca de dois anos envolve uma produção instável e ao mesmo tempo
recíproca de recusa e aproximação da instituição estatal.
PALAVRAS CHAVE: Criminalização; Violência; Mobilização Indígena; Cosmopolítica; Ação Política; Etnologia
Guarani
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